Guias de leitura

Flávio e Lula, conta por conta

O que cada um ganhou desde 2003, o que declarou à Justiça Eleitoral em cada eleição e onde a conta não fecha. O mesmo método e as mesmas premissas para os dois, só com dados públicos. A conclusão fica com você.

Valores em reais da época, sem correção pela inflação. As contas completas, com todas as premissas e os cenários, estão em a conta de Flávio e a conta de Lula. Etiquetas: documentado está em documento (declaração, decisão, extrato); alegado é acusação de uma das partes; reportagem foi apurado pela imprensa; estimado é conta nossa; interpretação é leitura nossa.

O patrimônio declarado, eleição por eleição

Bens em nome de cada um, pelo valor declarado ao TSE, sem dívidas. A linha pontilhada liga eleições que eles não disputaram no meio do caminho.

Deslize o gráfico para o lado para ver todos os anos.

Patrimônio declarado de Flávio e de Lula, de 2002 a 2026Patrimônio declarado ao TSE. Flávio: 2002, R$ 26 mil; 2006, R$ 385 mil; 2010, R$ 691 mil; 2014, R$ 714 mil; 2016, R$ 1,50 milhão; 2018, R$ 1,74 milhão; 2026, R$ 8,19 milhões. Lula: 2002, R$ 423 mil; 2006, R$ 839 mil; 2018, R$ 7,99 milhões; 2022, R$ 7,42 milhões; 2026, R$ 4,78 milhões.palestras de Lulacasa de Flávio2002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023202420252026R$ 0R$ 2 miR$ 4 miR$ 6 miR$ 8 mi2002: R$ 423 mil2006: R$ 839 mil2018: R$ 7,99 milhões2022: R$ 7,42 milhões2026: R$ 4,78 milhões2002: R$ 26 mil2006: R$ 385 mil2010: R$ 691 mil2014: R$ 714 mil2016: R$ 1,50 milhão2018: R$ 1,74 milhão2026: R$ 8,19 milhõesR$ 7,99 miR$ 1,74 miFlávio, R$ 8,19 miLula, R$ 4,78 mi
Os candidatos só declaram os bens nos anos em que disputam eleição, marcados em negrito. Lula não disputou em 2010, 2014 e 2016; Flávio, em 2022. Fontes: Poder360, Metrópoles, Congresso em Foco e SBT News, a partir das declarações ao TSE.
Patrimônio declarado em cada eleição
EleiçãoFlávioLula
2002R$ 25,5 milR$ 422,9 mil
2006R$ 385 milR$ 839 mil
2010R$ 691 milnão disputou
2014R$ 714 milnão disputou
2016R$ 1,50 minão disputou
2018R$ 1,74 miR$ 7,99 mi
2022não disputouR$ 7,42 mi
2026R$ 8,19 miR$ 4,78 mi

Em 2018, Lula declarava R$ 7,99 milhões e Flávio, R$ 1,74 milhão. Em 2026, Flávio declarou R$ 8,19 milhões, R$ 3,41 milhões a mais que Lula.

Lado a lado

Desde 2003, os dois receberam quase o mesmo em salário e aposentadoria. O resto da conta é que muda.

ItemFlávio BolsonaroLula
HojeSenador desde 2019. Candidato a presidente em 2026.Presidente desde 2023. Candidato à reeleição em 2026.
Salário e aposentadoria, de 2003 a 2026 (líquido, estimado)R$ 5,5 milhões, como deputado estadual e senador.R$ 5,5 milhões: salário de presidente (R$ 2,3 milhões), aposentadoria de anistiado (R$ 2,4 milhões) e salário do PT (R$ 0,8 milhão).
Outras rendas conhecidasR$ 2,1 milhões de lucro declarado com imóveis, de 2010 a 2014. R$ 909 mil recebidos da loja de chocolates em 2020 e 2021. A esposa teve cerca de R$ 1,5 milhão de renda líquida, de 2010 a 2026.R$ 23,9 milhões de receita da empresa de palestras, de 2011 a 2015, antes de impostos.
Primeira declaração à Justiça EleitoralR$ 25,5 mil em 2002: um carro.R$ 422,9 mil em 2002.
Última declaraçãoR$ 8,19 milhões em 2026.R$ 4,78 milhões em 2026.
Maior salto entre duas declaraçõesDe R$ 1,74 milhão em 2018 para R$ 8,19 milhões em 2026: 4,7 vezes, já como senador.De R$ 839 mil em 2006 para R$ 7,99 milhões em 2018: 9,5 vezes, depois das palestras.
No último mandato estimadoFaltam de R$ 1,6 a 4,5 milhões para explicar o que ele comprou, pagou e declarou desde 2019.Sobram de R$ 2,4 a 2,8 milhões sem destino declarado entre 2022 e 2026.
AcusaçãoRachadinha: peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa (MPRJ, 2020).Corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato: o triplex, o sítio de Atibaia e o Instituto Lula (de 2016 em diante).
Como terminouProvas anuladas (STJ e STF, 2021) e caso arquivado (TJ-RJ, 2022). Sem condenação.Condenações anuladas (STF, 2021) e Moro declarado parcial. Sem condenação.

A trajetória dos dois

Cargos, dinheiro e processos, ano a ano.

  1. 1945
    Nasce em Caetés, em Pernambuco. Aos 5 anos, a família se muda para São Paulo.
  2. 1975
    Assume a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
  3. 1980
    Ajuda a fundar o PT. Fica 31 dias preso no Dops, em São Paulo.
  4. 1981
    Nasce em Resende, no Rio de Janeiro.
  5. 1986
    Eleito deputado federal por São Paulo.
  6. 1989 a 1998
    Perde três eleições para presidente: em 1989, para Collor; em 1994 e 1998, para Fernando Henrique.
  7. 2000 a 2002
    Assistente técnico de gabinete na liderança do PPB na Câmara, em Brasília, enquanto cursava Direito e estagiava no Rio. Sai a pedido em 2002.
  8. 2002
    Eleito deputado estadual no Rio. Declara um carro de R$ 25,5 mil.
    Eleito presidente. Declara R$ 422,9 mil.
  9. 2005
    Compra um apartamento em Botafogo por R$ 350 mil.
  10. 2006
    Reeleito deputado. Declara R$ 385 mil.
    Reeleito presidente. Declara R$ 839 mil.
  11. 2008
    Compra 12 salas comerciais na Barra da Tijuca. Segundo o MP, cerca de 65% foram pagos com cheques de terceiros e dinheiro vivo.
  12. 2010
    Reeleito deputado. Declara R$ 691 mil.
    Termina o segundo mandato.
  13. 2011 a 2015
    Faz 72 palestras. A empresa dele recebe R$ 23,9 milhões.
  14. 2012 a 2014
    Compra e revende apartamentos em Copacabana e vende o de Botafogo: R$ 1,9 milhão de lucro declarado.
  15. 2014
    Reeleito deputado. Declara R$ 714 mil.
  16. 2015
    Abre uma loja de chocolates, com R$ 200 mil em dinheiro vivo.
  17. 2016
    Candidato a prefeito do Rio. Declara R$ 1,5 milhão.
    Alvo da Lava Jato. É levado a depor em condução coercitiva.
  18. 2017
    Condenado por Moro no caso do triplex. Mais de R$ 9,6 milhões bloqueados, quase tudo em previdência. A mulher, Marisa Letícia, morre.
  19. 2018
    Eleito senador. Declara R$ 1,74 milhão.
    Preso em abril. Declara R$ 7,99 milhões. A candidatura é barrada.
  20. 2019
    Solto em novembro, depois de 580 dias preso.
  21. 2020
    Denunciado pelo Ministério Público do Rio no caso das rachadinhas.
    A investigação das palestras é arquivada.
  22. 2021
    Compra uma casa de R$ 5,97 milhões em Brasília, com financiamento do BRB. O STJ anula as quebras de sigilo e as decisões do caso.
    Fachin anula as condenações, e o STF declara Moro parcial.
  23. 2022
    O Tribunal de Justiça do Rio arquiva o caso.
    Eleito presidente pela terceira vez. Declara R$ 7,42 milhões. O Comitê de Direitos Humanos da ONU conclui que o processo violou direitos dele.
  24. 2024
    Quita a casa com seis pagamentos extras, que somam R$ 3,4 milhões.
  25. 2025
    Gilmar Mendes nega os recursos do MP para reabrir o caso.
  26. 2026
    Candidato a presidente. Declara R$ 8,19 milhões. A Polícia Federal apura as condições do financiamento da casa.
    Candidato à reeleição. Declara R$ 4,78 milhões.

Metrópoles: a trajetória de Lula (30/10/2022) Agência Senado (18/1/2019), no guia do cargo guia do cargo na Câmara Poder360: patrimônio declarado de 2006 a 2026 Congresso em Foco: patrimônio de 2002 e 2006 Denúncia do MPRJ (2020), no guia de leitura guia da suspeição

Os picos que pedem explicação

Os momentos em que o patrimônio salta ou em que o dinheiro gasto não bate com a renda.

Flávio Bolsonaro

2005 e 2006

Um apartamento de R$ 350 mil com dois anos e meio de mandato

estimado Em 2006, Flávio declarou R$ 385 mil. A maior parte era um apartamento em Botafogo comprado em 2005 por R$ 350 mil, segundo ele. Até julho de 2006, o salário líquido de deputado permitia juntar, no máximo, R$ 289 mil no cenário padrão; só chega perto se ele vivesse com o mínimo do DIEESE e aplicasse todo o resto no CDI. Não se sabe se houve financiamento ou ajuda da família.

Poder360: patrimônio declarado de 2006 a 2026 Estadão (Terra): o apartamento de Botafogo

2008

Doze salas pagas com dinheiro que não saiu da conta dele

documentado Em dezembro de 2008 foram pagos R$ 262.298,68 por 12 salas comerciais na Barra. Naquele mês, Flávio sacou só R$ 21 mil. Segundo o MP, cerca de 65% foram pagos com cheques de terceiros e depósitos em dinheiro.

denúncia, pp. 16 e 17: as salas da Barra

2012 a 2014

Dois apartamentos comprados por R$ 310 mil e revendidos por R$ 1,12 milhão

documentado Pelas declarações, os apartamentos da Rua Barata Ribeiro e da Avenida Prado Júnior, em Copacabana, foram comprados em 2012 por R$ 170 mil e R$ 140 mil e revendidos por R$ 573 mil e R$ 550 mil. alegado Para o MP, o preço pago foi maior: R$ 638 mil teriam sido pagos em dinheiro vivo, por fora, e o lucro foi simulado.

denúncia: os depósitos de R$ 638,4 mil

2010 a 2014

O próprio MP fez a conta e achou R$ 977,6 mil a descoberto

alegado Somando salários, resgates, empréstimos, doações, vendas de imóveis e o financiamento, e tirando os gastos rastreados nos extratos, o MP chegou a um saldo negativo de R$ 977.611,26. A conta não incluiu condomínio, luz, viagens nem restaurantes. documentado No mesmo período, Flávio declarou ter doado R$ 733.390 à própria mãe.

denúncia, pp. 51 a 59: o saldo a descoberto

2014 a 2018

Dinheiro vivo na conta e nos boletos da família

documentado A conta de Flávio recebeu 141 depósitos em dinheiro, R$ 275.500, muitos de exatamente R$ 2 mil. Mensalidades escolares e o plano de saúde somaram R$ 247.570,51 em boletos sem débito nas contas do casal. Em outubro de 2018, a câmera de uma agência filmou Queiroz pagando dois desses boletos em dinheiro.

denúncia, p. 44: os 141 depósitos denúncia: os boletos denúncia: o vídeo

2015

R$ 200 mil em espécie numa loja de chocolates

documentado A loja abriu com R$ 800 mil: R$ 400 mil do sócio, R$ 350 mil da esposa e R$ 50 mil de Flávio, que depois pôs mais R$ 200 mil em dinheiro vivo. A renda líquida do casal naquele ano era de cerca de R$ 339 mil. O MP investigou a loja por suspeita de lavagem, mas ela não entrou na denúncia.

Estadão (Jornal de Brasília): a loja de chocolates

2019 a 2026

Uma casa de R$ 5,97 milhões e R$ 3,4 milhões pagos ao banco em três anos

documentado Já senador, Flávio comprou em 2021 uma casa em Brasília, com R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB em 30 anos. A dívida foi quitada até março de 2024, com seis pagamentos extras que somaram R$ 3,4 milhões. estimado Somando os salários do casal, o dinheiro da loja e a venda de um apartamento, faltam de R$ 1,6 a 4,5 milhões para fechar a conta, conforme os gastos da família. Flávio diz que é advogado e empresário e que todo o dinheiro é lícito; a Polícia Federal apura as condições do financiamento.

Estadão (Bem Paraná): a compra da casa Poder360: as rendas no processo do financiamento Congresso em Foco: a quitação com seis pagamentos extras Diario de Pernambuco: a PF e o financiamento do BRB Metrópoles: bens declarados em 2026

Lula

2002 a 2006

O patrimônio quase dobrou no primeiro mandato, e a conta fecha

estimado Lula declarou R$ 422,9 mil em 2002 e R$ 839 mil em 2006. O PT atribuiu o aumento à poupança do salário de presidente, à aposentadoria e a aplicações. Com moradia, comida e transporte pagos pelo Estado, o patrimônio podia chegar a cerca de R$ 1,02 milhão em julho de 2006, contando o que ele já tinha em 2002.

Congresso em Foco: patrimônio de 2002 e 2006

2011 a 2015

R$ 23,9 milhões em palestras, quase metade de empresas investigadas

documentado Depois de deixar a Presidência, Lula fez 72 palestras para 45 empresas, pela LILS, empresa da qual tem 98%. Segundo a Lava Jato, a LILS recebeu R$ 21 milhões de 2011 a 2014, R$ 9,9 milhões (47%) de empresas investigadas. alegado O MPF suspeitava que parte das palestras disfarçava propina. documentado Em 2020, a investigação foi arquivada: a Polícia Federal concluiu que não havia indícios de crime, e o MPF concordou.

Poder360: as 72 palestras Estadão (IstoÉ): receita de 2015 e planos bloqueados Poder360: palestras arquivadas Folha de Pernambuco: o arquivamento

2006 a 2018

Patrimônio 9,5 vezes maior, a maior parte em previdência

documentado O declarado foi de R$ 839 mil para R$ 7,99 milhões, dos quais R$ 6,3 milhões em planos de previdência. Em 2017, Moro bloqueou R$ 606,7 mil em contas e mais de R$ 9 milhões nesses planos. estimado Sem as palestras, o patrimônio poderia chegar a cerca de R$ 3,1 milhões em 2018, contando o que ele já tinha em 2002; com elas, a conta fecha com folga.

Congresso em Foco: bens declarados em 2018 Congresso em Foco: o bloqueio de 2017 Estadão (IstoÉ): receita de 2015 e planos bloqueados

2016 a 2021

Os bens das acusações nunca estiveram no nome dele

alegado As acusações falavam em benefícios: o triplex do Guarujá, a reforma do sítio de Atibaia, um terreno para o Instituto Lula e quatro doações de R$ 1 milhão da Odebrecht ao instituto. Nada disso esteve em nome de Lula. documentado Em 2021, as condenações foram anuladas e o STF declarou Moro parcial. O triplex prescreveu. Dos 11 processos mais conhecidos, Lula foi absolvido no mérito em 3; os outros terminaram por anulação, prescrição, suspensão ou trancamento.

decisão de Fachin: os quatro processos acórdão: o STF não julgou se Lula era culpado Poder360: o triplex prescreve Poder360: os 11 processos

2018 a 2022

A metade de Marisa foi para os herdeiros

documentado Marisa Letícia morreu em 2017. Na declaração de 2022, terrenos, apartamentos e as cotas da LILS aparecem exatamente pela metade: R$ 579.639,37 a menos, a parte dos herdeiros. O total passou de R$ 7,99 milhões para R$ 7,42 milhões. Em 2021, Lula disse que o dinheiro das palestras seguia bloqueado e que devia a maior parte aos advogados.

Congresso em Foco: bens declarados em 2018 Congresso em Foco: bens declarados em 2022 Poder360: o salário do PT e as dívidas com advogados

2022 a 2026

R$ 2,65 milhões a menos, sem dizer para onde foram

documentado Em 2026, Lula declarou R$ 4,78 milhões, R$ 2,65 milhões a menos que em 2022. Quase toda a queda veio da previdência, que foi de R$ 5,57 milhões para R$ 3,30 milhões. reportagem Segundo a colunista Malu Gaspar, de O Globo, Lula antecipou cerca de R$ 2,2 milhões aos cinco filhos, como herança. documentado Extratos obtidos pela CPMI do INSS mostram R$ 721 mil de Lula para um dos filhos entre 2022 e 2023. estimado Mesmo descontando a herança, ficam sem destino conhecido de R$ 2,4 a 2,8 milhões.

SBT News: bens declarados em 2026 Suno: os planos de previdência BPMoney: a coluna de O Globo e os extratos da CPMI do INSS

O que a Justiça decidiu

documentado Os dois foram acusados, e nenhum dos dois tem condenação.

Flávio Bolsonaro

  1. 19/10/2020 O Ministério Público do Rio denuncia Flávio e mais 16 pessoas no caso das rachadinhas.
  2. fevereiro de 2021 O STJ anula as quebras de sigilo bancário e fiscal, por falta de fundamentação.
  3. 9/11/2021 O STJ anula as decisões do juiz de primeira instância: Flávio tinha foro como deputado estadual.
  4. 30/11/2021 O STF anula quatro relatórios do Coaf. O primeiro, que apontou R$ 1,2 milhão atípico de Queiroz, foi mantido.
  5. maio de 2022 O Tribunal de Justiça do Rio arquiva o caso.
  6. 26/2/2025 Gilmar Mendes nega os recursos do MP para reabrir o caso. O arquivamento vale, a menos que surjam provas novas.
  7. 2026 A Polícia Federal apura as condições do financiamento da casa, com juros abaixo da média do BRB. Sem conclusão.

Sem condenação. Flávio nega irregularidades.

Denúncia do MPRJ (2020), no guia de leitura A Gazeta: o STJ anula a investigação Poder360: o STF anula quatro relatórios do Coaf InfoMoney: Gilmar mantém o caso arquivado Diario de Pernambuco: a PF e o financiamento do BRB guia da denúncia: o que aconteceu depois

Lula

  1. 12/7/2017 Moro condena Lula no caso do triplex. Em 2018, o TRF-4 confirma, e Lula fica 580 dias preso.
  2. setembro de 2020 A investigação das palestras é arquivada, com a concordância do MPF.
  3. 8/3/2021 Fachin anula as condenações: a Justiça de Curitiba não era competente para os quatro processos.
  4. 23/6/2021 O plenário do STF confirma que Moro foi parcial no caso do triplex.
  5. dezembro de 2021 Recomeçado em Brasília, o caso do triplex prescreve, e o MPF pede o arquivamento.
  6. março de 2022 Dos 11 processos mais conhecidos, Lula foi absolvido no mérito em 3. Os outros terminaram por anulação, prescrição, suspensão ou trancamento.
  7. abril de 2022 O Comitê de Direitos Humanos da ONU conclui que o processo violou direitos de Lula.

Sem condenação. Lula nega irregularidades.

guia da suspeição Poder360: Fachin anula os atos de Curitiba Poder360: o triplex prescreve Poder360: o Comitê da ONU Poder360: os 11 processos Folha de Pernambuco: o arquivamento

O que pode explicar as diferenças

Explicações possíveis para o que não fecha, que os documentos públicos não confirmam nem descartam.

Flávio Bolsonaro

  • Bens em nome da esposa. A declaração ao TSE lista só o que está em nome de Flávio. A cobertura de Laranjeiras foi trocada em 2017 por um apartamento e uma sala; o apartamento nunca apareceu nas declarações dele.
  • Rendas fora do salário. Honorários de advocacia, lucros da loja entre 2015 e 2020 e a renda da esposa, dentista, podem ser maiores do que os valores públicos usados aqui.
  • Ganhos com imóveis. As vendas declaradas de 2010 a 2014 deram cerca de R$ 2,1 milhões de lucro. O MP sustenta que parte foi simulada; se for verdade, o lucro real foi menor.
  • Empréstimos e ajuda da família. A declaração usa o valor de compra e não mostra dívidas, então um bem financiado aparece pelo valor cheio.

Lula

  • A previdência entra pelo valor aplicado. Os rendimentos não aparecem na declaração. Em 2017, os planos valiam R$ 9 milhões; em 2018, foram declarados por R$ 6,3 milhões.
  • O dinheiro que ficou na empresa. A LILS entra na declaração só pelo valor das cotas, não pelo que tem aplicado.
  • Advogados. Lula respondeu a mais de dez processos entre 2016 e 2022 e disse, em 2021, que devia à defesa a maior parte do dinheiro bloqueado. Os valores não são públicos.
  • Família. A metade de Marisa foi para os herdeiros, e parte da previdência teria sido antecipada aos filhos. A data e o valor exato não são públicos.
interpretação

A pergunta que fica

Desde 2003, os dois receberam quase o mesmo em salário e aposentadoria: cerca de R$ 5,5 milhões cada. Os dois foram acusados, os dois negam e nenhum tem condenação.

A diferença está no tipo de buraco. Na conta de Lula, o salto do patrimônio tem origem conhecida, as palestras, que foram investigadas e arquivadas; o que falta explicar é para onde foram de R$ 2,4 a 2,8 milhões no terceiro mandato. Na de Flávio, o que falta explicar é de onde veio o dinheiro: salas pagas com cheques de terceiros, 141 depósitos em espécie, R$ 247 mil em mensalidades e plano de saúde pagos sem sair das contas do casal, R$ 200 mil em espécie numa loja de chocolates e, desde que ele virou senador, de R$ 1,6 a 4,5 milhões a mais do que as fontes conhecidas.

Um patrimônio encolheu um terço em quatro anos de Presidência. O outro quase quintuplicou desde que o dono se elegeu senador. Quem será que roubou mesmo?

Nada aqui prova crime de ninguém. São as contas, com as fontes, para você tirar a sua conclusão.

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Como fizemos

A conta completa de Flávio A conta completa de Lula

Fontes

Divulgue também